A menina dos cabelos coloridos

julho 2

Abriu os olhos e fitou o teto.
Tudo o que via era nada.
Um nada silencioso, apático e um pouco assustador.
Um pensamento cruzou sua mente tão rápido que mal pode acompanhar.
Ela não sentia medo.
O que ela sentia não tinha nome.
Era grande, desafiador, como a força de um rugido que explode de repente.
Respirou uma, duas vezes. Precisava sair dali.
Não sabia para onde ir, só precisava ir.
Precisava correr. Precisava gritar. Tudo era urgente.
Os pés descalços tocavam o chão firmes e suaves, a pele nua fria como mármore, o vento no rosto ditando a direção.
Ela queria mais. Ela queria ser.
Ela queria ouvir seu nome. Ela queria encontrar sua casa.
Ela não sentia medo.
O que ela sentia não tinha nome.
Ela não sentia medo porque tinha todas as cores em seus cabelos.

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O que se conhece de Lucas sem conhecer Lucas

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Lucas sorri com os olhos. E quando ele sorri, com a boca ou com os olhos, uma espécie de energia transborda.
Lucas te encara sorrindo. E canta sorrindo. E se pá ele dorme sorrindo.
Lucas é ser de outro tempo. Pode muito bem ser aquariano, e se não o é, sua lua neste signo deve ter um pé.
Fã de Beatles, tem um submarino pra chamar de seu, sua cabeleira e suas camisas dos anos 60 ilustram que Lucas facilmente teria sido um maluco beleza deitado na grama com um girassol atrás da orelha em dia de céu azul cerúleo. Talvez ele tenha sido exatamente isso e esteja por aqui agora para nos mostrar o quão bela é a vida, só assim de passatempo.
Luquinhas não é um cara grande de altura, tá certo. Mas é um gigante quando abraça um instrumento. Tão gigante que o cara toca até de cabeça pra baixo. Duvida? Pois não duvide.
E por falar em abraço, Lucas abraça com todos os braços, e afaga, e conversa, e encanta, e transcende.
Lucas é assim, do bem, do amor, da vida, do mundo. A fala mansa, a cervejinha marota em uma mão, o cigarro entre os dedos na outra, e o tempo para. Coisas de Lucas.
Lucas que a maioria conhece sem de verdade conhecer, que hipnotiza pessoas que se aproximam por admirá-lo e acabam por apelidá-lo de nominhos fofos.
Lucas é assim, simplesmente assim, tudinho assim.
Lucas acha que eu tenho um rosto familiar, o que ele não sabe é que já nos conhecemos do universo, apenas nos reconhecemos no agora.
Para Lucas, menino de alma grande e luz infinita o meu singelo obrigada e todo o meu carinho. Vida longa, viu?!

Sobre mães

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Mãe é amor, é calor, é carinho, é afeto
Mãe é cuidado, é bronca, é dor, é zelo
Quando se torna mãe, deixa-se de ser você para sempre ser… MÃE
Aquela que entende de absolutamente tudo um pouco
Que por vezes é amiga, conselheira, costureira e até enfermeira
Aquela que busca na escola, na balada, de manhã ou de madrugada
A mãe que afaga, que explica, que agrega, que multiplica
O amor desmedido, sem censura, sempre verdadeiro, nunca com amargura
O abraço gigante que envolve e acalenta, secando as lágrimas e confortando corações quebrados
O carinho silencioso, de palavras não ditas, que em todas as orações tem suas súplicas atendidas
Do jardim a mais bela flor, de todas as mães a do mais puro sorriso
Sorte a nossa ter vocês por perto, porque só assim nos sentimos completos
De rima fácil ou difícil, sem vocês nada faria sentido
A vida a ti devemos, em vocês nos espelhamos
Esperamos ser apenas um terço do imenso poço de amor que conhecemos
Que Deus as conservem sempre vivas, em nossas vidas ou corações
Que Deus as abençoe noite e dia
Para que vivas possamos gritar, brindando todos os dias, o milagre que é AMAR

A ideia de você

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Começou esquecendo a voz. Apurava os ouvidos mas nenhum timbre era igual. Nenhum timbre ao menos remetia aos sussurros que outrora arrepiavam a pele.
Forçava a memória mas o que vinha era só silêncio.
Depois esqueceu o cheiro.
Desconfiava que nem respirava mais, embora soubesse que aquilo não fazia sentido.
Buscou frangrâncias, questionou perfumes e nada. Nenhum frasco, nenhuma flor, nenhuma fruta.
Um dia percebeu que tinha esquecido também a fisionomia.
Fechava os olhos e nem a mais remota lembrança trazia aquele conjunto de feições que sempre lhe foi tão agradável. Continuar lendo

Sobre estrelas

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Viu quando surgiram. Primeiro uma, depois outra e mais outra, até serem muitas, até não poder contar mais.

Conectou-se de imediato, tamanha a identificação que tinha com cada ponto. A imensidão e seus mistérios, o silêncio e a escuridão, seus pequenos pensamentos e todas as possibilidades, tudo estava ali, posto à prova, questionado, apertado contra a parede.

Até onde seus gritos poderiam ser ouvidos? E se desaparecesse para sempre, quem notaria a sua ausência?

Quanto mais pensava, menos respostas encontrava.

O fio de prata invisível manipulava gentilmente as marionetes que via pela janela de seu pequeno apartamento. Todos os dias a ir e vir, como pequenos robôs com todos aqueles botões luminosos e nenhum sentimento no peito.

Foi quando ergueu o olhar para o infinito e entendeu o complexo jogo de liga pontos: as estrelas.

Aquelas mesmas que viu despontarem ao cair da noite, que tantas vezes viu riscarem o céu em resposta aos seus pedidos tolos, aquelas que outrora aqueceram seu peito e testemunharam seus suspiros.

As estrelas sustentavam os seus fios de prata e como uma bailarina na ponta dos pés ela dançava.

Pés na areia

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Pés na areia fina
Molhados pelas ondas que vinham e voltavam
A água morna tocava sua pele com carinho
Seus pensamentos voavam longe
Horizonte distante que escondia o desconhecido
O vento acariciou-lhe a face, brincando com seus cabelos
Lembrou-se de quando era jovem
Sorriu inspirando saudade
O sabor doce de um passado distante gravado em sua memória
Encheu o peito de coragem e saudou a criança que ainda vivia ali dentro
O som das gaivotas trouxe de volta o presente
Despertou do sonho, mirou o horizonte mais uma vez e aceitou
Pés na areia fina
A água morna tocava sua pele com carinho